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	<title>Imposto de renda &#8211; Uster Advocacia</title>
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	<title>Imposto de renda &#8211; Uster Advocacia</title>
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		<title>Como declarar operações com criptomoedas?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lucas Uster]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 Jan 2020 11:09:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Criptomoedas]]></category>
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					<description><![CDATA[Países de todo o mundo têm trabalhado duro para tentar regular a indústria da criptomoeda, uma vez que está se tornando rapidamente um dos investimentos e opções comerciais mais populares, especialmente para os jovens.&#160; Preocupações com lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo também são questões trazidas por esse setor, problemas que o Brasil também [&#8230;]]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph">Países de todo o mundo têm trabalhado duro para tentar regular a indústria da criptomoeda, uma vez que está se tornando rapidamente um dos investimentos e opções comerciais mais populares, especialmente para os jovens.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://moneytimes.com.br/como-se-da-o-financiamento-ao-terrorismo-com-criptomoedas/">Preocupações com lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo também são questões trazidas por esse setor</a>, problemas que o Brasil também está tentando combater.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É importante destacar que existe diferença entre declarar a operação e apurar o lucro para fins de pagamento dos tributos. Neste artigo, buscarei explicar como deve ser feita a prestação de informações à Receita Federal no que diz respeito à declaração de operações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Receita Federal do Brasil &#8211; “RFB” &#8211; <a href="http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&amp;idAto=100592">publicou a Instrução Normativa nº. 1.888 / 2019</a>, posteriormente alterada em partes pela <a href="http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&amp;idAto=102230#2001600">IN 1899/2019</a>, para obrigar pessoas físicas, jurídicas e o trader de criptomoeda a informar suas transações com o objetivo de ter uma conformidade tributária e financeira clara nas transações de criptomoeda.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Porém, antes dessa norma de 2019, já era praticada a tributação sobre os ganhos de capital obtidos com a venda de criptoativos. Isso se deve ao fato de que, para a Receita Federal, as criptomoedas são consideradas bens, e sua alienação está sujeita às normas gerais para os ganhos de capital sobre alienação de bens.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sendo assim, a <a href="http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&amp;idAto=15526">Instrução Normativa SRF 599 de 2005</a>, dispõe:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Art. 1º Fica isento do imposto de renda o ganho de capital auferido por pessoa física na alienação de bens e direitos de pequeno valor, cujo preço unitário de alienação, no mês em que esta se realizar, seja igual ou inferior a:</p><p>I &#8211; R$ 20.000,00 (vinte mil reais), no caso de alienação de ações negociadas no mercado de balcão;</p><p>II &#8211; R$ 35.000,00 (trinta e cinco mil reais), nos demais casos.</p></blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Por esse motivo é que se considera que somente serão tributados os ganhos quando a operação exceder a R$ 35.000,00. Inclusive, é possível que se realizem estratégias de planejamento tributário de forma a dividir o valor total das operações em grupos de R$ 35.000,00 mensais, de forma a se obter o lucro sem que seja necessário o pagamento de imposto sobre o lucro e de forma que se esteja respeitando a legislação tributária.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Escreverei um artigo específico sobre a tributação.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O que é uma criptomoeda?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com a Receita Federal, a criptomoeda ou criptoativo é “a representação digital de seu valor nominal em sua própria unidade monetária a partir da qual o preço está sendo fornecido em moeda local ou estrangeira e que as transações acontecem eletronicamente por criptografia e tecnologia de registro, que podem ser usadas como forma de investimento, permuta viável de valores ou acesso ao serviço, que não constitua moeda corrente”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É importante destacar, ainda, que criptomoeda e criptoativo são sinônimos. No entanto, como não é possível considerar que um bitcoin, por exemplo, tenha sua natureza jurídica definida como moeda, parte da doutrina optou por utilizar o termo &#8220;criptoativo&#8221; em vez de &#8220;criptomoeda&#8221;. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Particularmente, gosto de utilizar o termo criptomoeda, mas sempre ressalvando que não se trata de uma moeda, e sim de um ativo bem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Passarei a explicar alguns aspectos acerca da obrigação de declarar as operações e prestar informações no que tange às criptomoedas. Para isso, será necessário entender alguns conceitos trazidos pela IN 1888/2019. </p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O que é uma exchange de criptoativo?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Antes mesmo da referida instrução normativa, o termo exchange já era comumente utilizado pelos praticantes do mercado. Porém, a Receita Federal optou por trazer um conceito jurídico para o termo, definindo a exchange de criptoativo no art. 5º, II da referida instrução, o qual dispõe:</p>



<div class="wp-block-group is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<div class="wp-block-group is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Art. 5º<br>II &#8211; exchange de criptoativo: a pessoa jurídica, ainda que não financeira, que oferece serviços referentes a operações realizadas com criptoativos, inclusive intermediação, negociação ou custódia, e que pode aceitar quaisquer meios de pagamento, inclusive outros criptoativos.</p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Parágrafo único. Incluem-se no conceito de intermediação de operações realizadas com criptoativos, a disponibilização de ambientes para a realização das operações de compra e venda de criptoativo realizadas entre os próprios usuários de seus serviços.</p></blockquote>
</div>
</div>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Traduzindo esse conceito, podemos definir uma exchange de criptoativo como a &#8220;casa de câmbio&#8221; das criptomoedas. Porém ela abrange mais do que apenas realizar o &#8220;câmbio&#8221;, haja vista que também pode ser responsável por armazenar as criptomoedas do titular e, mais do que isso, negociar para ele.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Quem deve informar a Receita Federal?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os seguintes participantes do mercado são obrigados a informar a RFB sobre transações de criptomoeda:</p>



<p class="wp-block-paragraph">• A exchange de criptoativo domiciliada para fins tributários no Brasil;</p>



<p class="wp-block-paragraph">• Pessoas jurídicas e pessoas físicas que residem no Brasil e realizam transações mensais, individuais ou acumuladas, acima de R$ 30.000 (trinta mil reais) e que: &#8211; As transações foram realizadas por uma exchange domiciliada no exterior; ou &#8211; As transações não foram feitas por uma exchange.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ou seja, se a pessoa negocia através de uma exchange domiciliada, será a própria exchange a responsável por prestar as informações à Receita Federal. É por esse motivo que se recomenda que o cadastro do titular esteja sempre atualizado no banco de dados dessas exchanges.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por outro lado, caso o indivíduo tenha optado por negociar suas criptomoedas diretamente ou sem o auxílio de uma exchange brasileira, ele será o próprio responsável por realizar a prestação de informações. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Caso você invista em criptomeodas e utilize uma exchange americana, por exemplo, cuide bastante esse detalhe, pois ficará sujeito à multa caso não cumpra essa obrigação legal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A obrigação de fornecer informações se aplica quando as operações estão relacionadas a: compra e venda; doações; troca; transferência de criptomoeda; cessão temporária (arrendamento); pagamento em espécie (dação em pagamento); emissão; e qualquer outra informação que implique na transferência de criptomoeda.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Que informações devem ser dadas?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando as transações foram feitas por pessoas físicas e jurídicas, caracterizadas como residentes no Brasil, e que não realizam transações através de uma exchange, a declaração deve conter: a data das transações; o tipo de transação; os principais responsáveis pelas transações; a criptomoeda usada nas transações; a quantidade de criptomoeda negociada até a décima casa decimal; o valor da transação em reais, excluindo as taxas de serviço cobradas pela execução da transação, quando existentes e o valor das taxas de serviço cobradas pela execução da transação, em reais, quando existentes;).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A IN 1888/2019 também exigia que fosse informado o endereço da wallet de remessa e de recebimento, caso houvesse. Contudo, devido à dificuldade de informar esses dados, a IN 1899/2019 revogou essa parte, <strong>não sendo mais necessária a informação da carteira de criptomoedas.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Caso as transações sejam feitas por pessoas físicas ou jurídicas por uma exchanger domiciliada no exterior, as informações também devem ser fornecidas conforme indicado acima, acrescentando a identificação da exchange.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Até quando as informações podem ser fornecidas?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As informações devem ser fornecidas à Receita Federal até 23h59min59s (horário de Brasília) do último dia útil do mês subsequente ao da operação. Por exemplo:</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pedro vendeu, em 4 de janeiro de 2020, R$ 40.000,00 em bitcoin. Sendo assim, terá de prestar as informações até o dia útil de fevereiro, qual seja, dia 28 de fevereiro de 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A exchange domiciliada no Brasil também deve fornecer informações, em relação a cada usuário de seus serviços, até o último dia útil de janeiro de cada ano, referente a 31 de dezembro de cada ano: o saldo da moeda fiduciária, o saldo de cada tipo de criptomoeda e o custo de aquisição de cada tipo de criptomoeda, declarado pelo usuário de seus serviços, levando em consideração que essas informações devem ser fornecidas juntamente com as informações exigidas informações sobre a criptomoeda.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>E se as informações não forem prestadas?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse caso, os art. 10 e 11 da IN 1888 tratam das sanções a serem aplicadas àqueles que não cumprirem com a obrigação no prazo devido, bem como que cumpriram, porém apresentaram informações inexatas ou omissas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, quando a apresentação das informações for feita fora do prazo legal, as multas poderão variar de R$ 100,00 a R$ 1500,00 por mês ou fração de mês. Esse valor será de acordo com a natureza da pessoa, se física ou jurídica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já aqueles que apresentarem as informações no prazo, porém incorrerem em omissões ou inexatidões deverão pagar uma multa de 1,5% ou de 3% do valor da operação, sendo esses percentuais respectivamente relativos à pessoa física e à pessoa jurídica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, é extremamente importante observar o prazo legal e apresentar as informações corretamente à Receita Federal, de forma a evitar o transtorno de receber uma intimação e ainda ter de pagar a multa estabelecida, sem prejuízo das demais responsabilidades em outras esferas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Como saberei se a minha exchange está prestando corretamente essas informações?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Primeiramente, é importante dizer que a Instrução Normativa 1888 e 1899 não trataram especificamente acerca da prestação de informações ao titular dos valores negociados, mas apenas em relação à informação direta à Receita Federal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É aconselhável que o investidor questione sua exchange a fim de saber se ela já está cumprindo essa obrigação legal de informar. É possível até mesmo que o investidor solicite o acesso às informações enviadas, para que guarde consigo para eventuais necessidades de comprovação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando a instrução normativa foi publicada, muitas exchanges enviaram avisos aos investidores informando que já estão conforme a norma, bem como que bastaria que os investidores permanecessem com seus dados cadastrais atualizados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se você se interessa por esse assunto, também recomendo assistir ao vídeo abaixo. Abraço!</p>



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